Com a expansão do mercado de energias renováveis, novos cuidados surgem quando o assunto é segurança do trabalho. De acordo com Marcelo Gomes dos Santos, gerente de segurança do trabalho e saúde ocupacional da Enel Distribuição, existe um mapeamento de risco afeito e ações que evitam acidentes, entretanto, com o crescimento do setor, será preciso apostar em tecnologia e inovação para entregar uma energia limpa e de qualidade para o consumidor final. O executivo fez palestra sobre o tema no último dia do Congresso Ecoenergy, promovido e organizado pela Cipa Fiera Milano, no São Paulo Expo.

 

“Em primeiro lugar vem a questão da segurança das pessoas. Porém, esse produto só será entregue com qualidade se houver segurança em todo o processo. Com a chegada das energias renováveis, o foco é o mesmo, mas existem particularidades que devem ser consideradas, como, por exemplo, o local de implementação, que, geralmente, é mais distante da área urbana”, explica.

 

Porém, Santos destaca que quanto mais gente passar a ter acesso às tecnologias de energia renovável, maior será a responsabilidade. “Hoje, por exemplo, existe uma chave que não deixa a energia não usada pelo consumidor final voltar para a distribuidora pela linha de distribuição. Mas com mais pontos de energia renovável, o cuidado terá que ser dobrado, porque essa energia, por exemplo, pode voltar por uma linha de transmissão que tenha alguém trabalhando. Por isso, tecnologia e inovação são as palavras-chaves desse processo”, finaliza.

 

Biomassa avança como nova matriz energética

No Brasil, como no resto do mundo, o uso da biomassa como fonte renovável de energia, vem através do uso de restos de madeira, bagaço de cana, lenha, carvão vegetal, dejetos de animais, álcool e outras fontes primárias de energia. Uma nova matriz energética que vem ganhando espaço.

Mas esse avanço enfrenta alguns problemas que vão da logística para a negociação e o transporte da biomassa até a tributação e a legislação sobre o assunto. Essa é a conclusão de empreendedores que participaram do painel “Tendências – Impactos das Tecnologias Disruptivas e Ideias Inovadoras de Startups na Cadeia de Produção de Biomassa”, do Congresso Biomass Day.

Durante o debate foi consenso que o Brasil tem um papel fundamental nessa revolução na geração de energia por produzir milhões de toneladas de biomassa, além de ter demanda elevada para esse tipo de energia. “A inovação é o único caminho para fazermos algo diferente, para transformar o Brasil em uma nação de inovação capaz de transformar esse potencial da biomassa em realidade”, afirmou André Augusto Gutierrez Fernandes, CEO da ZEG Ambiental.

Além de uma oportunidade, o uso da biomassa no país auxilia na redução de desastres causados pelo desmatamento de recursos naturais, além de contribuir com o aumento da economia, geração de emprego e renda. Júlio Espírito Santo, gerente de Tecnologia da GranBio, que tornou realidade a produção do etanol de segunda geração (E2G), o uso de biomassa no Brasil não tem incentivo. “Hoje, todo E2G que produzimos é exportado para os EUA que pagam 60% de bônus por litro para incentivar o uso da biomassa, e isso faz com que a produção seja viabilizada. Se vendermos no Brasil, além de tudo, pagamos imposto”.

Juliano Bragatto, criador da Elo Biomass.com, empresa on-line destinada a intermediar as negociações com biomassa no Brasil, lembra que a cobrança de impostos inviabiliza, na maioria das vezes, a utilização do subproduto. “A tributação é como se houvesse a negociação de um produto qualquer e não de algo que será descartado”.

Expositores destacam aumento do interesse do público por energias renováveis na feira Ecoenergy

Expositores da feira Ecoenergy, que aconteceu entre os dias 21 e 23 de maio, no São Paulo Expo, estão otimistas quanto aos contatos feitos durante o evento. Isso porque o público diversificado apresentou um perfil de compradores e também de futuros compradores, que desejam otimizar suas empresas com a instalação de fontes de energia renováveis.

Ricardo Mansour, CEO da Bluesun Solar do Brasil, destaca o interesse de um público primário, que teve a oportunidade de saber um pouco mais sobre esse tipo de tecnologia. “Um público variado, mas que quer conhecer o produto. Destacamos nossos paineis de 330 W, que têm um excelente custo-benefício e durabilidade”.

De acordo com Michel Bez Birolo, diretor executivo da Ibrap, novos clientes no segmento ajudam no crescimento do setor, impactando diretamente nas vendas. A empresa destaca como novidade neste ano a fachada gleise para edifícios, que é usada no lugar do vidro, entretanto com o diferencial de gerar energia fotovoltaica para o empreendimento. “É algo bem novo no Brasil”, afirma Birolo.

Mesmo com o intuito de apenas expor sua nova linha de produtos, a representante do marketing da Komeco, Mariel Sandri, destaca as possibilidades de negócio que se apresentara. “Viemos com o objetivo de apresentar os produtos para o mercado, entre eles o aquecedor que não usa energia quando a água do boiler estiver na temperatura indicada pelo usuário. São aparelhos inteligentes”, diz Sandri.