O Fórum Internacional de Soluções Sustentáveis foi aberto com a palestra magna proferida por Ricardo Young sobre desafios da gestão sustentável, e trouxe especialistas em resíduos sólidos e meio ambiente urbano que mostraram o cenário atual em torno dos temas no Brasil

Com objetivo de fomentar a reflexão, iniciativas, e, sobretudo, sustentar a tomada de decisão de gestores públicos e privados de todo o Brasil, a Ecomondo Brasil 2019, realizada dias 21, 22 e 23 de maio, no São Paulo Expo, promoveu, no segundo dia do encontro, o Fórum Internacional de Soluções Sustentáveis. A Palestra Magna de abertura foi ministrada por Ricardo Young, empresário e professor, que integra o Instituto de Estudos Avançados (IEA) da Universidade de São Paulo – USP, um dos maiores nomes dos temas de sustentabilidade no Brasil. O especialista discorreu sobre os desafios da gestão sustentável”.

Na visão de Young, o cenário da gestão sustentável no Brasil já esteve melhor – nos anos de 2014 e 2015 -, mas logo após, o país começou a experimentar um retrocesso, segundo ele. “Além da pressão do agronegócio sobre o meio ambiente, as cidades não aceleraram em soluções sustentáveis na velocidade necessária, seja na questão dos resíduos sólidos, da mobilidade ou do transporte urbano. As políticas governamentais são hostis na visão do desenvolvimento sustentável, então, não é um bom momento”, lamentou. No entanto, pondera o professor, o cenário pode melhorar. “A economia das empresas está dando respostas. As demandas da sociedade vão romper as limitações do atual governo e vão se estabelecer  progressivamente”, afirmou.

Young também comentou sobre a importância da Ecomondo. “A iniciativa da feira é muito boa. Promovemos um encontro entre cidades e empresas através de soluções tecnológicas e de desenvolvimento sustentável. Traz oportunidades de negócios internacionais. A organização está de parabéns pela promoção do evento”, elogiou.

Ecomondo Forum: especialistas debatem gestão de resíduos e logística reversa

No primeiro painel do Fórum Internacional de Soluções Sustentáveis, realizado dia 22 de maio, no âmbito da Ecomondo Brasil, na São Paulo Expo, os palestrantes discutiram o tema “Gestão de Resíduos: interface dos municípios com a logística reversa”. Em sua primeira edição, a Ecomondo Brasil, que foi realizada em parceria com a Ecoenergy – Feira e Congresso Internacional de Tecnologias Limpas e Renováveis para Geração de Energia.

O debate contou com a participação de Anícia Pio, gerente do Departamento de Desenvolvimento Sustentável da FIESP (Federação das Indústrias do Estado de São Paulo) e de Cezar Augusto Capacle, representando Rogério Menezes, presidente da ANAMMA – Associação Nacional de ÓrgãosMunicipais de MeioAmbiente. A mediaçãofoi de Carlos Silva Filho, presidente da Abrelpe – Associação Brasileira de Empresas de Limpeza Pública e Resíduos Especiais e vice-presidente do ISWA – The International Solid Waste Association.

“O painel teve uma importância fundamental”, destacou Anícia Pio, “porque tocou em um ponto importante da Política Nacional de Resíduos Sólidos – PNRS, que é como conseguimos trabalhar de forma harmônica, em parceria e de forma complementar a gestão de resíduos sólidos urbanos e a gestão de logística reversa”, disse.

Segundo a palestrante, existe uma série de obrigações para o poder público municipal e serviços públicos pelas operadoras que prestam serviço municipal. “Discutimos como, a partir disso, podemos complementar os sistemas de logística reversa no setor industrial. Não podemos descartar a importância da participação das cooperativas nos processos de reciclagem. Eles têm a sua função e precisam ser motivados e capacitados para se tornarem um elo destacadeia de reciclagem”, frisou.

Na visão da especialista, a PNRS só vai sair do papel quando a indústria de reciclagem, que comporta desde a cooperativa de catador e operadores municipais a fabricantes de embalagens e de produtos, estiver estruturada. “Enquanto o selo não se conversarem e não trabalhar em parceria, dificilmente as iniciativas isoladas irão conseguir ter a escala necessária para o sistema de sustentabilidade, de economia e social”, enfatizou.

 

Projeto de logística reversa

 Neste contexto, de acordo com Anícia, a Fiesp, em parceria com o Ciesp (Centro das Indústrias do Estado de São Paulo Distrital Sul), Abrelpe (Associação Brasileira de Empresas de Limpeza Pública e Resíduos Especiais) e outras operadoras, desenvolveu um projeto de sistema de logística reversa de embalagens. “Trabalhamos com os operadores municipais, cooperativas, comércios e indústrias de reciclagem, enfim, todos os elos desta cadeia produtiva para gerar recursos para que a gestão pública municipal de resíduos possa ser melhorada”, detalhou. “A sociedade merece um serviço de qualidade”.

A iniciativa, conforme Anícia, contempla um termo de compromisso assinado pela Fiesp, Secretaria do Meio Ambiente e Cetesb (Companhia Ambiental do Estado de São Paulo). “Estamos trabalhando nesta meta para levar isso de uma forma mais sistêmica”, reforçou. São de 800 empresas participantes, segundo ela. “O sistema deve atender de uma forma justa, equilibrada, que não prejudique o próprio setor  industrial e que crie condições para que a logística reversa seja implantada em todos os municípios”, ressaltou e finalizou destacando a importância do evento. “Nesses fóruns temos que nos unir com a sociedade civil, os especialistas, a indústria da reciclagem e de transformação e as organizações sociais para buscarmos melhorias”.

Para o palestrante Cezar Augusto Capacle, que apresentou “A visão dos municípios”, o tema de logística reversa e resíduos sólidos é fundamental para a gestão municipal e não pode ser ignorado. “É uma das maiores preocupações dos gestores municipais, hoje. As possíveis soluções e o diagnóstico de cenário que foram apresentados pelos painelistas foram significativos e contribuíram com o debate”, pontuou.

Segundo ele, o evento como um todo promoveu a conexão entre diversos atores que atuam nessa área e estão buscando soluções alternativas para esse tema em suas realidades.

“Foi um prazer participar da Ecomondo. Acredito que tivemos uma palestra de alto nível, os participantes se aprofundaram no tema. Tivemos a oportunidade de dialogar com diversos setores da sociedade. Não é sempre que podemos falar diretamente com empresas e indústrias”, concluiu Capacle.

Carlos Silva Filho, presidente da Abrelpe, que moderou o painel, lembrou que o Fórum foi criado pelo Comitê Científico da Ecomondo, do qual faz parte, e outras instituições. “É uma agenda bastante atual”, disse. O painel sobre logística reversa trouxe um tema que interessa ao poder público, principalmente na questão dos municípios, e ao poder privado, que tem metas a cumprir”, afirmou.

Segundo ele, foi importante levar para o painelos principais representantes dos dois públicos: a Fiesp e aANAMMA “para ter a visão dos dois,ver quais são as demandas e os gargalos e discutir com a ajuda do público para tentar encontrar soluções e construir um sistema de logística reversa de embalagens que seja eficiente e abrangente”, finalizou.

Ecomondo Fórum: segundo painel do encontro aborda o planejamento urbano com sustentabilidade

Duas experiências urbanas que aliam sustentabilidade e criatividade foram apresentadas no segundo painel do Ecomondo Forum, nesta quarta-feira, 22 de maio, na discussão sobre inovação no ambiente urbano, com foco na construção e uso sustentável, mostrando que, de Norte a Sul do país, pessoas, organizações, empresas e poder público estão se mobilizando para transformar as cidades brasileiras e a qualidade de vida.

Com mediação de Tatiana Tucunduva P. Cortese, da Uninove e do IEA-USP e presidente do Comitê Científico do Ecomondo Forum, o painel contou com dois convidados: Marcelo Gomes, administrador e engenheiro civil pela UFSC, responsável por  empreendimentos imobiliários inovadores como o Pedra Branca Cidade Criativa, Passeio Primavera, Mercadoteca e Centro de Inovação Acate Primavera, e Cláudio Nascimento, diretor de Tecnologia de Olinda (PE), vice-presidente da Rede Brasileira de Cidades Inteligentes e Humanas, conselheiro do Porto Digital em Recife e representante da OASC – Open &AgileSmartCities no Brasil.

Marcelo discorreu sobre a urbanização sustentável do bairro Pedra Branca, em Santa Catarina, uma experiência urbana que prioriza a convivência das pessoas, a diversidade e a criatividade.

“Para nós é uma superoportunidade estar aqui nesse debate que a Ecomondo trouxe. A junção da Feira Ecomondo com as feiras de energia, a organização e qualidade das pessoas que estavam aqui foram fantásticas. Discutir o tema de planejamento urbano com sustentabilidade, o que liga um ao outro, o ponto de vista de prática, o setor privado-público, com todos trabalhando em união, foi muito legal”, elogia Marcelo.

Do Nordeste veio a experiência de Olinda (PE), com a apresentação de Claudio Nascimento, mostrando iniciativas inovadoras, como as ações de coleta seletiva no tradicional Carnavalda cidade, festa que gera cerca de 100 mil empregos diretos e indiretos, entre eles, 300 catadores cadastrados.

Para Claudio, a Ecomondo Brasil é crucial nesse momento do país. “Trazer um assunto sobre o qual a população tem pouco conhecimento, como é o impacto global, poder discutir o que é a sustentabilidade de fato e trabalhar os Objetivos de Desenvolvimento Sustentável do impacto global foi uma maravilha. Discutimos e aprendemos sobre o tema”.

Fazendo um balanço geral do Fórum, a coordenadora Tatiana Tucunduva ressalta que o encontro trouxe o tema da logística reversa, pois este tem preocupado o setor por conta da demora da legislação, que já existe desde 2010, mas que não conseguimos até hoje que ela funcione efetivamente. “A preocupação era trazer representantes das empresas e poder público, que trabalham com essa questão ambiental. Conseguimos fazer um debate positivo, trazendo essas duas visões para as empresas poderem se adequar e identificar oportunidades de negócio nesse setor. Sobre o segundo painel, a estudiosa explica: “trouxemos a questão da inovação no planejamento urbano. Causa uma provocação de qual é o papel nosso como cidadão e empresa, gestor público e sociedade civil. Qual é o papel de cada ator da sociedade para que a gente consiga avançar e melhorar a qualidade de vida que é o que buscamos? Espero que o Fórum tenha conseguido trazer discussões interessantes, o público ficou até o final e foi muito positivo”. E complementa: “Participar desses eventos é uma oportunidade para aumentar a rede de contatos. Conseguimos que a Ecomondo se apresente para o Brasil de uma forma positiva e que a gente consiga despertar o interesse pata o visitante voltar no próximo ano”.

Em sua primeira edição, a Ecomondo Brasil comprovou seu sucesso ao apresentar soluções ambientais para o mercado industrial e contribuir para a atualização de conhecimento e o aperfeiçoamento dos profissionais da área. As principais novidades e tendências deste ano incluíram Gestão de Resíduos (Urbano, Industrial e Automotivo) e Energia (Biogás e Biomassa), em um ambiente B2B, que atraiu profissionais da indústria, prestadores de serviços, fornecedores de equipamentos, centros de pesquisa e gestores públicos e privados.

O evento aconteceu simultâneo às feiras Ecoernergy e ExpoBiogás, no São Paulo Expo.