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Ecomondo Brasil 2019: Diálogos Abrelpe debatem regulação da recuperação energética

por Lucas Mazzolenis

Os Diálogos Abrelpe, evento que contemplou dois painéis sobre recuperação energética, foi um dos grandes destaques do primeiro dia da Ecomondo Brasil – Feira de Soluções Tecnológicas para Gestão da Sustentabilidade, que acontece até esta quinta, 23 de maio, na São Paulo Expo. Iniciativa inédita para o setor, a Ecomondo Brasil 2019 é realizada em parceria com a Ecoenergy – Feira e Congresso Internacional de Tecnologias Limpas e Renováveis para Geração de Energia.

 

Com presenças de representantes do Ministério do Meio Ambiente, da Cetesb (Companhia Ambiental do Estado de São Paulo) e da CNI (Confederação Nacional da Indústria), o painel I dos Diálogos Abrelpe abordou o tema “Ambiente Regulatório da Recuperação Energética”.

 

O presidente da Abrelpe –Associação Brasileira de Empresas de Limpeza Pública e Resíduos Especiais, Carlos Silva Filho, coordenador do debate, abriu as apresentações abordando o “Panorama geral e perspectivas da recuperação energética no Brasil”. O secretário de Qualidade Ambiental do Ministério do Meio Ambiente, André França, discorreu sobre o “A Recuperação Energética na Agenda de Qualidade Ambiental do Ministério do Meio Ambiente”.

Wanderley Batispta, da GEMAS-CNI, abordou o tema “Parceria da Indústria” e apresentou o estudo inédito “Recuperação energética de resíduos sólidos: um guia para tomadores de decisão”. Segundo ele, foi muito importante fazer o lançamento oficial desse guia para tomada de decisão. “É o primeiro documento do tipo no Brasil”, ressaltou. “Existem muitos documentos técnicos que até detalham muito mais do que levantamos neste estudo, mas ele segue o caminho para uma avaliação ampla de como essas tecnologias podem ser utilizadas, seja pelo setor público seja pelo privado, buscando a destinação ambientalmente adequada dos resíduos sólidos”, afirmou Batipsta.

 

Ele disse ainda que “o evento foi muito importante porque reforçamos o papel das feiras internacionais de tecnologia ambiental. A CNI vê isso com bons olhos. É um mercado importante para as empresas que sempre apresentam inovações e, como recentemente saiu a regulamentação para a recuperação energética, foi de bom tom trazer esse guia”, destacou. Ainda de acordo com o palestrante, o guia foi construído com uma consultoria internacional e assessoria da Abrelpe e da BCP.

 

O palestrante Cristiano Kenji, representando a presidente da Cetesb, Patrícia Iglecias, falou sobre o quadro regulatório estadual e soluções para tratamento de resíduos em São Paulo”. “Com o tema que foi colocado é importante a nossa participação para expor o regulamento sobre a recuperação energética dos resíduos sólidos no Estado de São Paulo e os critérios de licenciamento que são adotados pela Cetesb, juntamente com as novas tecnologias”, ressaltou Cristiano. “São Paulo está mais avançado que outros estados no tratamento de resíduos que estão à disposição”, completou.

Desafios

O segundo bloco dos Diálogos Abrelpe apresentou os desafios enfrentados por empreendimentos direcionados à recuperação energética e suas especificações técnicas.

Com mediação de Gabriela Otero, coordenadora técnica da Abrelpe, o painel teve apresentações de Ismar Assaly, diretor presidente da Foxx Haztec, André Tchernobilsky, diretor da ZEG, e Alexandre Citvaras, diretor de Meio Ambiente da Intercement.

“Participo junto com a Abrelpe das feiras de resíduos desde 2012. Vejo que a cada ano as pessoas aderem mais a esses eventos. Conversei com a Gabriela, nunca teve tantos inscritos num painel da Abrelpe”, destacou o palestrante André Tchernobilsky, diretor da ZEG Ambiental. “O mundo está tomando grandes movimentos que não têm mais volta. Precisa ser mais sustentável e com energia renovável. Nesse tipo de evento é importante escutarmos as perguntas e pensarmos em como podemos melhorar. É gratificante participar da Ecomondo junto com a Abrelpe”, disse.

Ismar Assaly, presidente do Conselho da Foxx Haztec, ressaltou a importância da discussão sobre reciclagem. “O mais importante é transmitir a mensagem que temos que resolver a questão do lixo. O saneamento é tão importante quanto a água que tomamos e a solução da geração de energia com resíduos é uma das soluções mais importantes e que está presente em todos os painéis modernos. Na Europa, há um tratamento térmico e mais a reciclagem como uma grande solução para a questão do resíduo. Não podemos ficar tão distantes, com 3 mil lixões operando e contaminando o solo e o lençol freático e trazendo doenças, entre outros problemas. Precisamos da sustentabilidade para o nosso planeta”, pontuou.

Sobre o que falta para o lixo ser melhor aproveitado, explicou que “no Brasil se fala muito em concessões, mas são raras no setor de lixo. Temos algumas e para darmos sustentabilidade ao projeto precisamos de um contrato de longo prazo. Quando falo de insegurança jurídica temos que ter garantia de pagamento, como é a água e o esgoto cobrado do usuário final. Precisamos ter o mesmo tratamento com investimento de grande quantidade e segurança do recebimento, principalmente nos pequenos municípios”.

O especialista abordou também a importância da discussão do tema no Brasil. Para ele, é fundamental que cada vez mais os que lutam pelo setor resolvam a questão dos resíduos. “Somos os principais interessados para que ocorram eventos desse porte para haver questionamento e podermos esclarecer as dúvidas junto com as autoridades e propor soluções para os problemas”, concluiu o especialista.

 

Gabriela Otero também comentou sobre o painel e a importância do evento. “Por isso escolhemos o nome “Diálogos”. Nós sentimos que necessita haver no setor de resíduos uma ponte melhor entre as empresas que fazem essa gestão e toda complexidade tecnológica, administrativa e financeira com o público final, para ter um bom serviço ou proteção da saúde”, frisou. “O formato Diálogos é para ter essa aproximação com empresas especializadas falando com um público diversificado”, disse. “Parabenizo a organização do evento, a sala estava cheia, com um público de alto nível e com pessoas interessadas que ficaram até o fim e participaram fazendo perguntas. Esse tipo de formato atrai o público”, elogiou.

A parceria da Abrelpe com a Ecomondo já vem desde 2015, como explica o presidente da Abrelpe, Carlos Silva Filho. “A cada ano é aprimorada. Nesse ano, trouxemos mais uma vez o nosso evento para dentro da feira. Trabalhamos em uma grande divulgação, na parte da exposição e na rodada de negócios junto aos associados. Estamos animados com as próximas edições”, comemora.

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