O ICMS (Imposto sobre Circulação de Mercadorias e Serviços) é o maior entrave encontrado pelo setor de energias renováveis quando o assunto é crescimento de mercado. De acordo com Fernanda Sá Freire Figlioulo, sócia da Machado Meyer, são 27 estados com diversas legislações e tributações diferentes. Essas divergências de cobrança impactam diretamente na expansão dos negócios. Figlioulo foi uma das palestrantes do Congresso Ecoenergy, que acontece entre os dias 21 e 23 de maio, no São Paulo Expo.

O desafio do setor hoje é comprar máquinas e equipamentos com menor custo tributário, que envolve incentivos fiscais, nos âmbitos federais e estaduais. Porém, mesmo num cenário mais positivo para o setor quando o assunto é imposto, outra questão que deve ser considerada pelas empresas é que a aquisição de bens e máquinas pode gerar impactos adversos. “Comprar maquinário e afins pode gerar um acúmulo de diversos créditos, que precisam ser calculados pelas empresas”, pondera Figlioulo.

A especialista pontua que já existem benefícios importantes para o setor, mas que o Brasil ainda está muito longe do que seria o ideal para o segmento e destaca a importância desses benefícios para as empresas apostarem em energias renováveis, destacando a necessidade de uma redução maior da tributação, principalmente no que se refere ao ICMS.

“Nesse mercado de microgeradores, o que temos visto é que há vários estados que ainda não concedem isenção para as micro e pequenas geradoras. Isso interfere na implementação desse tipo de empreendimento. Temos SP e MG como pioneiros neste mercado, mas seria muito importante que todos os estados aderissem a esse convênio que concede isenção de ICMS proporcional a energia gerada pelas empresas que possuem as micro e pequenas geradoras”, finaliza.

Empresas do Brasil e da Europa se unem para transformar lixo em energia

 

O projeto Low Carbon Business Action Brazil quer estimular a transição para tecnologias de baixo carbono na indústria. Para tanto, com o financiamento da União Europeia, promove o intercâmbio entre Pequenas e Médias Empresas (PME) do Brasil e da Europa. O projeto já possui 90 projetos em andamento – e muitos outros em avaliação.

Para falar sobre ele, o Biomass Day – Congresso Internacional da Biomassa recebeu nesta quarta (22) Mercedes Blázquez G-Ibarrola e Bruno Luciano, respectivamente líder e consultor da Low Carbon Business Action.

Mercedez enfatizou que as empresas europeias têm muito interesse em trazer suas tecnologias para o Brasil e contam com a parceria de empresas brasileiras para isso. Centenas de especialistas têm trabalhado para adaptar iniciativas de sucesso para nosso País, o que envolve o estudo de sua viabilidade técnica, econômica, jurídica e ambiental.

Já Luciano falou sobre projetos específicos ligados a biomassa. Um deles, orçado em € 2 milhões, congrega o Instituto Lixo e Cidadania e uma empresa alemã. Juntos, eles estão aplicando uma técnica para converter o resíduo orgânico do Ceasa de Curitiba (3 mil toneladas por mês), recolhido por catadores, em energia, a ser utilizada pela própria Central de Abastecimento. E o lixo que não puder ser aproveitado será transformado em fertilizante.

“No momento, a Low Carbon Business Action está presente tanto no Brasil como no México. A expectativa é que ano que vem o projeto seja relançado aqui, com uma nova rodada de investimento”, afirmou Mercedez.

Falta de informação é o maior desafio do setor de biogás no Brasil

 

Mesmo com o potencial de produção de 82 milhões de metros cúbicos por ano e disponibilidade de tecnologia de produção, o biogás ainda gera desconfiança em credores e investidores brasileiros por causa da falta de informação e políticas de incentivo. Esta é a análise apresentada por especialistas no Congresso BiomassDay, que acontece entre os dias 21 e 23 de maio, no São Paulo Expo.

Apesar do potencial expressivo, o país não explora nem 2% de sua capacidade, que vem da grande geração de matéria orgânica, principalmente gerada pelo agronegócio. A falta de informação se tornou o maior desafio do setor, uma vez que sem ela bancos não liberam crédito e investidores não se sentem seguros para apostar no setor.

De acordo Marcela Rezende, representante do CIBiogás (Centro Internacional de Energias Renováveis – Biogás), as entidades ligadas ao biogás têm participado das discussões públicas e na criação de marcos regulatórios, mas o cenário ainda é modesto. “Precisamos dar segurança para o investidor de que aquilo vai pra frente. Precisamos de leilão dedicado ao biogás, políticas que trazem essa segurança. Se tenho respaldo regulatório e governamental e fonte participando de leilão, passamos a ter contratos de energia vendidos. Assim, o investidor passa a dar crédito para esse mercado”, explica Rezende.

Thiago Olinda, da Abiogás (Associação Brasileira de Biogás e Biometano) afirma que o mercado de biogás é promissor. E aponta onde esse tipo de energia pode ser aplicada. “A geração de energia elétrica é o uso mais comum do biogás. O biogás é usado como combustível para um gerador de combustão, em vez de diesel, por exemplo. O biogás também pode usado como biometano para combustível veicular, além da sua capacidade para uso térmico em indústria com alimentação de caldeiras ou secadoras”, finaliza Olinda.

Cobrança por eficiência energética pode ajudar país a otimizar o uso de recursos naturais e econômicos

A criação de uma espécie de selo de eficiência energética dado ao consumidor final ou às indústrias pode estimular uma melhoria no setor, colaborando para que mais pessoas sejam atendidas com o uso menor de recursos naturais e econômicos. É o que afirmou Alexandre Sedlacek Moana, presidente da Abesco (Associação Brasileira das Empresas de Conservação de Energia) durante sua palestra no congresso Ecoenergy, nesta quarta-feira (22),  no São Paulo Expo.

Para Moana, o setor de eficiência energética deve ser olhado e reavaliado de forma constante, como todas as tecnologias existentes, buscando aprimoramento e formas mais otimizadas de viabilização. “No Brasil são executadas diversas iniciativas de eficiência energética, mas acreditamos que o potencial é muito maior. E uma forma de fazer com que isso tenha compatibilidade entre potencial e execução é a criação de políticas mandatórias de eficiência pelo usuário final, seja indústria, comércio, residencial ou poder público”, explica.

Para o presidente, a inserção da inteligência vai fazer com que a potência que o consumidor precisa seja fornecida naquele momento e a distribuição seja feita de forma mais inteligente. “Para isso, o ideal é que exista uma inteligência central, controlando regiões, diminuindo de forma absurda o desperdício e atendendo mais pessoas com menos recursos naturais e financeiros”, finaliza.

Armazenamento é tendência no setor de geração energética

 

A tendência do setor de geração de energia é que em curto prazo cada empresa, indivíduo ou corporação gere sua própria energia e a armazene para usar em horários mais convenientes, seja por uma questão tarifária ou de otimização do horário para despachar energia elétrica. Esse cenário foi apresentado por Aurélio de Andrade Souza, fundador e diretor da Usinazul, durante sua apresentação no Congresso Ecoenergy, que vai até 23 de maio, no São Paulo Expo.

Segundo Souza, essa perspectiva de mudança no mercado pode se dar em curto prazo, uma vez que as concessionárias também têm interesse nessa modalidade de consumo. “As concessionárias querem também controlar o mercado. Se elas deixam livre, todos vão e fazem sozinhos. Mas se for possível criar oportunidades para abater na sua própria conta de energia ou vincular ela a esses serviços, as empresas garantem também o mercado de serviços e não só de venda de energia”, pontua.

O presidente destaca que, apesar do Brasil ter chegado atrasado na questão de energias renováveis, hoje, há mais de 80 instalações pelo país, e esse mercado em expansão trará novas formas de consumo. “Na prática, o sistema é o mesmo, mas com o armazenamento eu escolho a hora que quero consumir, porque as novidades tarifárias, como horasazonal, tarifa branca, vão estimular esse processo, uma vez que a energia pode ser mais barata em um determinado horário do dia. Se eu tenho armazenado, consumo quando quiser. Essa gestão de energia é uma tendência”, completa.