Ecoenergy – Feira e Congresso Internacional de Tecnologias Limpas e Renováveis para Geração de Energia, teve início nesta terça-feira (21) com um painel que abordou as mudanças no modelo que rege o setor e os desafios e oportunidades que envolvem as questões relacionadas aos tipos de energias renováveis. O evento, segue até o dia 23, no São Paulo Expo

Avanços na tecnologia, falta de incentivo governamental, tributações, organização e desenvolvimento do mercado foram alguns dos temas levantados pelos participantes do painel, que contou com a presença de Ruberval Baldini, presidente da ABEAMA (Associação Brasileira de Energias Alternativas e Meio Ambiente), José Antonio Sorge, sócio-diretor da Ágora Geradora e Comercializadora de Energia, e Carlos Evangelista, presidente da ABGD (Associação Brasileira de Geração Distribuída).

Atualmente, o grande destaque das energias renováveis fica para a energia solar, por conta da disponibilidade que transpõe questões geográficas, como é o caso da energia eólica, que precisa ser implementada em regiões com ventos fortes, e a biomassa, que necessita de aproximação física com a fonte. Mesmo assim, Evangelista destacou a importância do Brasil aprender a trabalhar com todas as energias disponíveis no Brasil. “O país tem matriz renovável e energias renováveis menos distribuídas. Apesar da energia solar se sobressair, quando o assunto é a abordagem sustentável, social e econômica, precisamos abranger todas as opções”, afirma.

O crescimento exponencial do mercado foi destacado por Baldini e a importância da criação de um plano de incentivo por parte do governo. “Eram mil empresas há dois anos. Hoje são 10 mil. A energia solar é um negócio e precisa ser analisado dentro do cenário nacional atual”, pontua.

Para Evangelista, comercializador de energia, o futuro do setor é a energia renovável, que tem entre suas missões reduzir custos e viabilizar empreendimentos. “Não há incentivo tributário. Não é uma política de governo. Existe um grande entrave. A evolução tecnológica continua e precisamos nos tornar competitivos, mas para isso é preciso evoluir o mercado, com destaque para a questão tributária”, diz.

 

“Carbono será mais precioso que etanol, açúcar e bioeletricidade juntos”, diz especialista no Congresso BiomassDay

A primeira palestra do Congresso BiomassDay, que acontece entre os dias 21 e 23 de maio, no São Paulo Expo, abordou o potencial para geração de bioprodutos com alto valor agregado. O convidado foi Jaime Finguerut, diretor e membro do conselho do ITC (Instituto de Tecnologia Canavieira), que apontou o carbono como o principal produto das biorrefinarias no futuro para deixar os solos mais férteis e produtivos para a agricultura.

Como uma forma de tirar o planeta da rota de superaquecimento, Jaime destacou a importância da busca e implementação de novas formas da sociedade se desenvolver, diminuindo e aproveitando em forma de energia os gases que promovem o efeito estufa, principalmente o gás carbônico.”O clima afeta a saúde, a água, o suprimento alimentar e até a infraestrutura das cidades. Temos que começar a retirar o CO² para reduzir os raios infravermelhos e evitar o aquecimento do planeta”, disse.

Uma das formas alternativas de estabilização do clima é entrar num processo de descarbonização da atmosfera, ação que começa a despontar em países desenvolvidos, como a Holanda, por meio da busca de formas de atender as necessidades modernas a partir de produções sustentáveis.

“Capturar, armazenar e enterrar o carbono, reflorestar, fertilizar os oceanos para as algas realizarem fotossíntese são alternativas para mudar esse cenário de aquecimento de forma sustentável. Porém, é o carbono que em 20 anos será mais precioso que o etanol, o açúcar e a bioeletricidade juntos.”, afirmou Finguerut.

 

Mercado de pellets no Brasil cresce em produção e vendas, mas está longe da maturidade

O mercado de pellets no Brasil tem se expandido, porém ainda está longe de um cenário de maturidade, de acordo com Dorival Pinheiro Garcia, fundador e consultor da Abipel (Associação Brasileira das Indústrias de Pellets). Garcia é um dos convidados do congresso da BiomassDay, que acontece entre os dias 21 e 23 de maio, no São Paulo Expo.

Garcia destaca que o setor está na fase de crescimento de produção e vendas, mas que o Brasil não chega a aproveitar 2% de sua capacidade e que vislumbra um mercado amadurecido dentro de dez anos. “No Paraná, os pellets são usados 10% para o aquecimento aviário. Já em São Paulo, 350 padarias e pizzarias usam o produto como energia térmica. É mercado em expansão que ainda será muito explorado”, destaca.

As matérias-primas (biomassas) mais usadas para a fabricação de pallets são as madeiras de acácia e de pinus. Porém, o especialista destaca que existem outras bases para a produção, como o eucalipto, o bagaço de cana e até mesmo a casca de amendoim. “No futuro, os pallets serão trocados por pallets torrificados, que são mais vantajosos. Mas, por enquanto, seguimos expandindo o mercado brasileiro com o tradicional”, finaliza.