No primeiro painel do Fórum Internacional de Soluções Sustentáveis, realiza do nesta quarta, 22 de maio, no âmbito da Ecomondo Brasil, na São Paulo Expo, os palestrantes discutiram o tema “Gestão de Resíduos: interface dos municípios com a logística reversa”. Em sua primeira edição, a Ecomondo Brasil, que é realizada em parceria com a Ecoenergy – Feira e Congresso Internacional de Tecnologias Limpas e Renováveis para Geração de Energia, termina nesta quinta, 23.

 

O debate contou com a participação de Anícia Pio, gerente do Departamento de Meio Ambiente da FIESP (Federação das Indústrias do Estado de São Paulo) e de Cezar Augusto Capacle, representando Rogério Menezes, presidente da ANAMMA – Associação Nacional de Órgãos Municipais de Meio Ambiente. A mediação foi de Carlos Silva Filho, presidente da Abrelpe – Associação Brasileira de Empresas de Limpeza Pública e Resíduos Especiais e vice-presidente do ISWA – The International Solid Waste Association.

 

“O painel teve uma importância fundamental”, destacou Anícia Pio, “porque tocou em um ponto importante da Política Nacional de Resíduos Sólidos – PNRS, que é como conseguimos trabalhar de forma harmônica, em parceria e de forma complementar a gestão de resíduos sólidos urbanos e a gestão de logística reversa”, disse.

 

Segundo a palestrante, existe uma série de obrigações para o poder público municipal e serviços públicos pelas operadoras que prestam serviço municipal. “Discutimos como, a partir disso, podemos complementar os sistemas de logística reversa no setor industrial. Não podemos descartar a importância da participação das cooperativas nos processos de reciclagem. Eles têm a sua função e precisam ser motivados e capacitados para se tornarem um elo desta cadeia de reciclagem”, frisou.

 

Na visão da especialista, a PNRS só vai sair do papel quando a indústria de reciclagem, que comporta desde a cooperativa de catador e operadores municipais a fabricantes de embalagens e de produtos, estiver estrutura da. “Enquanto o selos não se conversarem e não trabalharem em parceria, dificilmente as iniciativas isoladas irão conseguir ter a escala necessária para o sistema de sustentabilidade, de economia e social”, enfatizou.

 

Projeto de logística reversa

 

Neste contexto, de acordo com Anícia, a Fiesp, em parceria com o Ciesp (Centro das Indústrias do Estado de São Paulo Distrital Sul), Abrelpe (Associação Brasileira de Empresas de Limpeza Pública e Resíduos Especiais) e outras operadoras, desenvolveu um projeto de sistema de logística reversa de embalagens. “Trabalhamos com os operadores municipais, cooperativas, comércios e indústrias de reciclagem, enfim, todos os elos desta cadeia produtiva para gerar recursos para que a gestão pública municipal de resíduos possa ser melhorada”, detalhou. “A sociedade merece um serviço de qualidade”.

A iniciativa, conforme Anícia, contempla um termo de compromisso assinado pela Fiesp, Secretaria do Meio Ambiente e Cetesb (Companhia Ambiental do Estado de São Paulo). “Estamos trabalhando nesta meta para levar isso de uma forma mais sistêmica”, reforçou. São de 800 empresas participantes, segundo ela. “O sistema deve atender de uma forma justa, equilibrada, que não prejudique o próprio setor industrial e que crie condições para que a logística reversa seja implantada em todos os municípios”, ressaltou e finalizou destacando a importância do evento. “Nesses fóruns temos que nos unir com a sociedade civil, os especialistas, a indústria da reciclagem e de transformação e as organizações sociais para buscarmos melhorias”.

Para o palestrante Cezar Augusto Capacle, que apresentou “A visão dos municípios”, o tema de logística reversa e resíduos sólidos é fundamental para a gestão municipal e não pode ser ignorado. “É uma das maiores preocupações dos gestores municipais, hoje. As possíveis soluções e o diagnóstico de cenário que foram apresentados pelos painelistas foram significativos e contribuíram com o debate”, pontuou.

Segundo ele, o evento como um todo promoveu a conexão entre diversos atores que atuam nessa área e estão buscando soluções alternativas para esse tema em suas realidades.

“Foi um prazer participar da Ecomondo. Acredito que tivemos uma palestra de alto nível, os participantes se aprofundaram no tema. Tivemos a oportunidade de dialogar com diversos setores da sociedade. Não é sempre que podemos falar diretamente com empresas e indústrias”, concluiu Capacle.

Carlos Silva Filho, presidente da Abrelpe, que moderou o painel, lembrou que o Fórum foi criado pelo Conselho Consultivo da Ecomondo, do qual faz parte, e outras instituições. “É uma agenda bastante atual”, disse. O painel sobre logística reversa de embalagens trouxe um tema que interessa ao poder público, principalmente na questão dos municípios, e ao poder privado, que tem metas a cumprir”, afirmou.

Segundo ele, foi importante levar para o painel os principais representantes dos dois públicos: a Fiesp e a ANAMMA “para ter a visão dos dois,ver quais são as demandas e os gargalos e discutir com a ajuda do público para tentar encontrar soluções e construir um sistema de logística reversa de embalagens que seja eficiente e abrangente”, finalizou.