Autoridades das três esferas do Governo e associações corporativas ressaltaram que, à exemplo do que acontece em países desenvolvidos, é preciso valorizar o intercâmbio de conteúdos técnicos e inovações que já estão dando resultados em prol da sustentabilidade. Lançamento da ECOMONDO BRASIL 2017, na ocasião, mostrou que o Brasil já está preparado para aplicar os novos conceitos

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Com destaque para o intercâmbio de conteúdos técnicos e valorização da inovação em prol da sustentabilidade, aconteceu ontem, 4 de outubro, no Pavilhão Verde do Expo Center Norte, em São Paulo, SP, a abertura oficial da XVIII FIMAI ECOMONDO – Feira Internacional de Meio Ambiente Indústria e Sustentabilidade, com as presenças de autoridades renomadas nos cenários empresarial e de sustentabilidade, como Ricardo Soavinski, secretário nacional de Recursos Hídricos e Ambiente Urbano, do Ministério do Meio Ambiente; Gilberto Natalini, vereador do Município de São Paulo; Michele Pala, cônsul Geral da Itália; Edoardo Pollastri, presidente da Italcam – Câmara Ítalo-Brasileira de Comércio, Indústria e Agricultura; deputado federal Carlos Gomes, presidente da Frente Parlamentar em Defesa da Cadeia Produtiva da Reciclagem; Paulo Dallari, diretor adjunto do Departamento de Meio Ambiente da Fiesp; e Antonio Velloso Carneiro – secretário-adjunto do Meio Ambiente do Estado de São Paulo.

Representando o Ministro do Meio Ambiente, Sarney Filho, Soanvinsk apontou que a FIMAI ECOMONDO traz temas de extrema relevância para o país, citando pontos que são prioridades na gestão atual do Ministério e que estão relacionados com as abordagens tratadas na feira, como meio ambiente urbano, resíduos e energia. Para ele, o evento soma com as ações do Governo, pois trata questões que são importantes para toda a sociedade e que envolvem a participação de empresas e organismos público e privado que possam ajudar na aplicação dos processos socioambientais.

Soavinski afirmou que encontros como esses são importantes também para conhecer tecnologias e serviços especializados que auxiliam na aplicação de soluções ambientais, como no caso dos resíduos sólidos, onde existe um campo vasto para o Governo trabalhar, em termos de políticas públicas, seguranças jurídica e econômica, investimentos, entre outras questões. “Nosso propósito é incentivar para que a iniciativa privada possa participar, cada vez mais, de todos os assuntos que dizem respeito direto à qualidade de vida da população. Temos tecnologias, associações, cooperativas de catadores, acordos de logística reversa, termos de compromissos com diversos setores em nível nacional, então, tudo isso tem que avançar para ampliarmos a industrialização, a geração de novos empregos e de renda. Por isso, o arranjo institucional de negócios é uma ferramenta que tem que ser aplicada fortemente e acredito muito que a iniciativa privada tem condições de nos ajudar a fazer um ciclo virtuoso e, com isso, melhorar a qualidade de vida nas cidades”, salientou Soavinski.

Segundo Gomes, o Brasil também pode gerar dinheiro com o gerenciamento de resíduos sólidos, injetando o volume de R$ 100 a 120 bilhões, aproximadamente, por ano, na nossa economia, fazendo a engrenagem da cadeia produtiva da reciclagem girar. “O Brasil precisa olhar para esse tema como aspecto econômico, desta forma eventos, como esse, valorizam essa conduta, potencializam as iniciativas que já existem, por meio das tecnologias e serviços, e abre oportunidades de diálogos entre diversos atores para alavancar o mercado da reciclagem nacional”, destacou.O presidente da Frente Parlamentar em Defesa da Cadeia Produtiva da Reciclagem, Carlos Gomes, frisou que a FIMAI ECOMONDO é o encontro para troca de experiências e que nos mostra novas tendências que são perfeitamente aplicáveis no dia a dia das empresas e órgãos públicos. “Meu primeiro contato com a sustentabilidade foi com a reciclagem, trabalhando como catador, e depois dessa vivência, após tantas visitas em outros países, descobri que aquilo que era ‘lixo’, é, na verdade, ‘luxo’, é matéria-prima que nós, no Brasil, estamos enterrando toneladas anualmente, mas podemos mudar essa história aplicando experiências em prol da gestão dos resíduos sólidos, como já fazem países como a Itália – que é o terceiro país que trata de acordo com as boas práticas ambientais os seus resíduos; e a Alemanha – que transforma os resíduos em recursos, sendo a quarta atividade econômica do país, gerando cerca de R$ 70 bilhões de euros por ano. Esses países não olham o resíduo como lixo, mas como matéria-prima”, comenta.

Interação público-privada

“A interação entre setores público e privado é um vetor positivo para a realização de bons negócios. Por isso, deixamos a Secretaria de Meio Ambiente de portas abertas para o diálogo com os empresários presentes neste evento, que é considerado o maior e mais importante do setor de meio ambiente industrial e sustentabilidade da América Latina e esperamos que ela continue sendo bem-sucedida”, declarou Velloso. O secretário adjunto da SMA – Secretaria de Meio Ambiente do Estado de São Paulo, Antônio Velloso, representando o governo de São Paulo, aproveitou sua participação na FIMAI ECOMONDO, para informar que a SMA vem negociando 15 termos de compromisso de logística reversa sendo que ao menos três devem ser assinados ainda esse ano. Ao firmar os termos de compromissos de logística reversa, a ideia é criar parcerias para apoiar a implantação de sistemas de logística reversa amplos com entidades (sindicatos e associações) ou diretamente com empresas, visando ao acompanhamento de sistemas em escala piloto no Estado.

Os pronunciamentos das demais autoridades também ressaltaram o caráter inovador da feira para estimular o empreendedorismo necessário para colocar o Brasil no mesmo patamar de investimentos sustentáveis de países da Europa e promover negócios promissores entre os players do mercado ambiental em toda a América Latina.

Aproveitando o momento especial, os organizadores da FIMAI ECOMONDO prestaram uma homenagem à ABRELPE – Associação Brasileira das Empresas de Limpeza Pública e Resíduos Especiais pelos 40 anos de fundação, na pessoa do seu diretor-presidente, Carlos Silva Filho, em reconhecimento à uma das entidades pioneiras e que é referência em desenvolver ações que contribuem para o desenvolvimento dos setores públicos e privados em prol da sustentabilidade e um parceiro sólido nas iniciativas da feira.

Lançamento da ECOMONDO BRASIL 2017

Com base no modelo italiano, Aldino lembrou que começaram a exportar essa experiência para o Brasil ano passado, com a realização da FIMAI ECOMONDO. Para 2017, o executivo ressaltou o objetivo da Expo Estratégia em continuar trabalhando para firmarem-se como um ponto de referência no Brasil. “A passagem do nome Fimai para ECOMONDO é um indicador da nossa intenção de continuar a expandir nossas atividades no mercado brasileiro. Para nós, a edição da FIMAI ECOMONDO em 2016 é um laboratório onde desenvolvemos importantes conteúdos a partir das exposições. Essa vai ser a linha de desenvolvimento que manteremos para a ECOMONDO Brasil em 2017”, declarou.Na oportunidade foi anunciado o lançamento da ECOMONDO BRASIL 2017, com as presenças de Ivo Nardella, diretor do Grupo Tecniche Nuove; e Paulo Aldino, diretor internacional da Rimini Fiera e sócio da Expo Estratégia, que apresentou o projeto para 2017. Aldino observou que as feiras modernas estão muito diferentes das realizadas no passado, quando prevalecia o caráter estritamente comercial, hoje, as feiras são instrumentos de comunicação e desenvolvimento de conteúdos. “A Ecomondo, que é mais importante manifestação italiana e ocupa o segundo lugar por importância na Europa, fez dos conteúdos sua força principal. O modelo que temos se baseia no Comitê Científico que cria, ao longo do ano, teores técnicos que venham a ser apresentados dentro da feira”, exemplificou.

A proposta é ser uma feira multisetorial, colocando em contato as empresas de cada setor de referência umas com as outras, com ampla participação do Comitê Científico para o desenvolvimento técnico dos conteúdos das praças temáticas. “Os indicadores da próxima edição serão dois: primeiro tema será waste to energy e o segundo technology waste, com o desenvolvimento, a partir deles, de outros conteúdos importantes. Outro fator primordial é fazer com que essa feira seja um ponto de encontro para todos os profissionais do mercado, e, mais ainda, que seja importante para os representantes do setor ambiental e da política, no sentido de encontrar soluções mais adequadas para a proteção do meio ambiente e o fomento da economia verde, com apoio dos nossos parceiros e colaboradores”, concluiu.


Atrações desta edição

A FIMAI ECOMONDO vai até amanhã, dia 6/10. Durante a exposição ocorrem diversas atividades paralelas através de áreas demonstrativas, como o Palco de Inovações, onde acontecem as apresentações do Panorama dos Resíduos Sólidos no Brasil, o Road MAP de Resíduos para o fechamento dos Lixões, Diálogos Abrelpe sobre as 10 visões para o aprimoramento da gestão dos Resíduos, e palestras de especialistas renomados no setor de empreendedorismo e sustentabilidade.
Além disso, estão acontecendo os tradicionais SIMAI – Seminário Internacional de Meio Ambiente Industrial e Sustentabilidade e Oil Spill Brazil, a Praça de Gestão Ambiental com apresentação de cases inéditos dos expositores; a Praça de Eficiência Energética com estudos de casos e experiências bem-sucedidas no setor de Energia; a Rodovia Sustentável, onde está sendo feita a demonstração de uma rodovia inteligente com, aproximadamente, 80 metros de extensão interligada com outra exposição paralela, a TranspoQuip Latin America 2016, que acontece no Pavilhão Vermelho, com a exposição integrada de diversos produtos e soluções inovadoras para vias e rodovias.